Viúva chamou executor de “burro” por não matar marido no dia combinado, diz delegado

O delegado Marcel Gomes de Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse nesta segunda-feira (17.10), que o empresário Toni da Silva Flor deveria ter sido assassinado uma semana antes do crime [dia 11 de agosto de 2020]. A declaração ocorreu durante depoimento no Tribunal do Júri em ação penal contra a empresária Ana Claudia Flor – ré confessa da morte do marido, Toni.

Segundo ele, durante as investigações do caso foi verificado que Toni Flor deveria ter sido morto na semana anterior do dia 11 de agosto, mas que o executor [até então não tinha nome] não teria cumprido com o combinado. Conforme o delegado, a suspeita sobre o crime passional veio após depoimentos de familiares e amigos que revelaram que Toni tinha uma outra pessoa e que inclusive estava pensando em se separar de Ana Claudia.

Marcel revelou que uma das primeiras pessoas a serem ouvidas sobre o crime foi a própria Ana Claudia, mas então como testemunhas, e que na ocasião, achou suspeito a forma em que ela escondeu um boletim de ocorrência sobre o crime de violência doméstica que teria sido cometido por Toni contra a suspeita.

O delegado reforçou a declaração de Igor Espinosa, réu confesso por matar Toni Flor, de que ele temia por sua vida e que quando foi preso se sentiu aliviado: “Doutor estou mais tranquilo agora. […] Tirei um peso das costas”, disse o acusado para o delegado – segundo depoimento de Marcel.

Conforme ele, testemunha teria revelado que Ana Claudia teria chamado Igor Espinosa de “burro” por errar os disparos contra Toni – na época ele chegou a ser socorrido e ficou internado em um hospital da Capital, mas acabou não resistindo e faleceu. O delegado falou sobre a “trama” de Ana Cláudia para contratar um “pistoleiro” para tirar a vida de Igor dentro da delegacia, e que ela em nenhum momento confessou o crime.

O delegado ainda falou sobre a participação de Wellington Honório Albino, Dieliton Mota da Silva e Ediane Aparecida da Cruz Silva na morte do empresário; assim como o suposto suborno de R$ 4 mil pago por Ana Cláudia para um policial civil repassar informações sobre o andamento do inquérito, principalmente o teor do depoimento Igor Espinosa.

Importante destacar que Ana Cláudia Flor confessou em depoimento à Justiça em 24 de fevereiro deste ano, que pagou R$ 60 mil para matar o marido. Segundo a empresária, a encomenda do crime foi feita porque ela teria sido agredida pelo marido, nova versão apresentada do fato. Destacou que Toni teria feito ameaças a uma das filhas do casal. Então, a mulher procurou Igor Espinosa e o contratou para executar o marido.

Atulizada às 11h – Ele contou que Ana Claudia negou em depoimento que sofreu qualquer agressão por parte de Toni Flor. O delegado citou “carreta da saudade” promovida pela viúva em busca de justiça e o primeiro depoimento dela na delegacia no qual levou as filhas, destacando um “grau de frieza” e “periculosidade” de Ana Cláudia: “No depoimento, como diz o jargão popular, ela chorou lágrimas de crocodilo”.

Outro ponto levantado pelo delegado e sobre o horário em que Toni Flor estava na academia – na época estava em período da pandemia e os horários eram combinados com o professor. “A Ana Cláudia sabia do horário. Era uma informação privilegiada. […] Sobre o crime, o Igor disse que ao chegar no local apenas disse: perdeu, deu cinco tiros, descarregou o revólver e fugiu na moto”, contou o delegado ao narrar o crime.

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